Blog da LEMA

Engenharia de Alimentos, Empreendedorismo e afins

Como ganhar a experiência que você precisa para empreender

06.11.2017

Nós já falamos aqui no blog um pouco sobre as características do empreendedor e mostramos que empreendedor não é sinônimo de empresário. O perfil empreendedor é extremamente versátil e pode ser adotado em quase qualquer área da sua vida (senão em todas) de maneira benéfica, inclusive para ganhar experiência e segurança para abrir a própria empresa. Afinal, é um perfil que visa a solução de problemas. Dessa forma, há vários tipos de empreendedorismo e você pode adaptá-los conforme sua personalidade, criando novas maneiras de empreender. Mas sejamos práticos e vamos direto ao que interessa: os principais tipos de empreendedorismo e como obter experiência para empreender de fato.

 

Uma rápida busca na literatura ou mesmo no Google nos traz três tipos principais de empreendedorismo: (i) intraempreendedorismo (ii) empreendedorismo social (iii) empreendedorismo de negócios (que você já está mais familiarizado). Vamos entender um pouco melhor esses perfis.

 

i. Intraempreendedorismo

O intraempreendedorismo ou empreendedorismo corporativo pode ser compreendido como ações empreendedoras promovidas por funcionários de uma empresa que resultam na solução de um problema ou no atendimento a uma demanda, trazendo benefícios e inovação para a organização. Nesses casos, os colaboradores intraempreendedores desenvolvem esse perfil em sua rotina de trabalho, diagnosticando necessidades da empresa, gerando oportunidades e inovando a maneira como a instituição se posiciona no mercado, através da sua capacidade de fazer as outras pessoas enxergarem valor positivo em suas ideias.

 

As empresas mais modernas já têm plena consciência desse tipo de empreendedorismo e dos benefícios que ele pode trazer tanto para organização, quanto para os próprios funcionários. Por isso, não é difícil encontrar empresas que já assumiram a filosofia empreendedora como cultura organizacional. Start ups e multinacionais com caráter de inovação são as empresas que costumam estimular esse comportamento em seus funcionários.

É, isso mesmo, você pode exercer o empreendedorismo no seu estágio ou no seu emprego, numa empresa que não é sua.

 

ii. Empreendedorismo social

O empreendedorismo social é aquele cujas ações não visam o lucro próprio e sim a geração de valor a um grupo social, repensando as relações entre a comunidade, as organizações privadas e o governo. É o empreendedorismo que visa criar soluções acessíveis e criativas em organizações sem fins lucrativos, porém autossustentáveis.

 

Mas como assim sem fins lucrativos, porém autossustentáveis? As organizações sem fins lucrativos são aquelas que executam suas atividades visando o bem social maior e não têm o objetivo de gerar lucro aos seus gestores. Entretanto, não ter fins lucrativos não significa ausência de renda própria e também não significa trabalho não remunerado. No caso das organizações autossustentáveis, elas possuem fontes de renda oriundas de suas atividades, mas essa renda é reinvestida no crescimento da própria organização. As pessoas que trabalham nesses negócios sociais podem ser remuneradas com salário fixo, mas não podem ter participação nos lucros da organização. Estes, como já dito anteriormente, devem ser integralmente investidos na própria instituição.

 

Vale ressaltar que uma característica fundamental do perfil do empreendedor social é a sensibilidade com as questões sociais e o desejo de fazer o bem a uma comunidade. Na maioria dos casos, os esforços dessas pessoas são voltados a comunidades mais carentes de recursos. Mas, apesar disso, é importante observar que o empreendedorismo social não se limita somente às ações com foco em pessoas economicamente vulneráveis.

 

O empreendedorismo social pode ser facilmente visualizado através das ligas universitárias e outras organizações estudantis. No caso da LEMA, por exemplo, nosso foco é gerar oportunidades acessíveis de educação profissional a estudantes da Escola de Química da UFRJ (e áreas correlatas à Engenharia de Alimentos) e empreendedores na área de alimentos, por meio de atividades de baixo custo ou custo zero.

 

 

iii. Empreendedorismo de negócios

Por fim, o empreendedorismo de negócios é aquele desenvolvido pelo empresário, a pessoa que utiliza seu perfil empreendedor com propósito de atender à demanda de um mercado, desenvolvendo soluções e gerando valor para seu público e lucro financeiro aos seus sócios e investidores. Nesse caso, o empreendedor percebe no mercado uma oportunidade de negócio e vende suas soluções.

 

No empreendedorismo de negócios, o empresário precisa lidar frequentemente com questões como a competitividade do mercado e a entrada de novas tecnologias, dentre outras questões pertinentes à gestão de uma empresa, que irão desafiar constantemente suas qualidades de empreendedor e exigirão dele grande capacidade de adaptação e inovação, em especial nos mercados mais concorridos.

 

 

Como o empreendedorismo social e o intraempreendedorismo podem te ajudar a abrir a própria empresa?

 

Em todos os casos citados, conhecimentos de gestão são ferramentas que podem influenciar bastante no sucesso da jornada empreendedora, em especial no empreendedorismo de negócios, onde muitas vezes o empreendedor começa sozinho. E a falta de experiência nessa área é o que acaba matando o sonho de muita gente que sempre quis abrir o próprio negócio.

 

Então, se esse é o seu caso, eu tenho uma dica para você. Primeiramente, não desista por ser inexperiente. É normal se sentir inseguro no início, ninguém nasce com experiência. Depois, considere a possibilidade de desenvolver o empreendedorismo aí mesmo onde você está, no seu trabalho, na sua faculdade, na sua comunidade. Sabe aquelas coisas que você sempre reclamou e ninguém nunca resolveu, tipo “o sistema de ensino atual é muito ineficaz”? Comece a pensar agora o que você pode fazer para resolver esses problemas e gerar valor para você e as pessoas ao seu redor e tome coragem para empreender sua solução e engajar pessoas nessa causa. Comece pequeno, com ideias simples e de baixo custo (ou custo zero) e vá aumentando a complexidade aos poucos, implementando conceitos de gestão. Busque desenvolver o marketing, as finanças, as pessoas, as parcerias, a logística e todas as áreas que envolvem a gestão de uma organização. Estude, pratique o que aprendeu e tente se aperfeiçoar. Pode ter certeza que você irá ganhar muita experiência de gestão e irá desenvolver o espírito empreendedor que todos tanto falam, se realmente se dedicar a resolver esse problema.

 

Nesse processo, é normal que os participantes da iniciativa não recebam nenhum pagamento extra pelo trabalho desenvolvido, por isso, é muito importante ter em mente que você não está “trabalhando de graça” por não receber remuneração financeira pelo seu esforço. Tenha muita certeza de que isto é um investimento pelo seu próprio desenvolvimento e seu pagamento é o conhecimento e a maturidade que essa dedicação irá te proporcionar. Afinal, ter uma estrutura de suporte, como seus colegas e os recursos da empresa onde trabalha ou um grupo de pessoas dispostas a gerar soluções sociais com você pode funcionar como um treinamento para quando você for começar seu próprio negócio. Abrir uma empresa é provavelmente a modalidade de empreendedorismo mais arriscada de todas e a experiência em outros projetos mais seguros te dará maior confiança para dar esse passo. Uma vez empreendendo de qualquer maneira que seja, você terá mais coragem de expandir e empreender no seu próprio negócio.

 

Até lá, não se esqueça: suas oportunidades, quem faz é você! ;) 

 

Referências bibliográficas

NETO, A. A.; ALMEIDA, A.; SOUZA, C. P.; ANDREASSI, T. Empreendedorismo e desenvolvimento de negócios. Editora FGV. Rio de Janeiro, 2013.

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