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Engenharia de Alimentos, Empreendedorismo e afins

Engenheiro de Alimentos e empreendedorismo

Em edição especial pelo dia do engenheiro de alimentos, celebrado na última segunda-feira, dia 16, a coluna Empreendedorismo em Foco vem com imensa satisfação apresentar, através de uma entrevista, a história de sucesso do microempreendedor Gustavo Jorge Gomes Pacheco, 35 anos, formado em Engenharia de Alimentos pela UFRJ, com especialização em gestão de negócios no setor de alimentação pelo Senac/RJ.



Atualmente ele trabalha como microempreendedor individual na área de consultoria em gestão de operações e qualidade em alimentos, tendo um foco maior no setor de serviços de alimentação. #VemComALEMA conferir essa super entrevista!


O que o levou a empreender e quanto tempo você empreende? Já começou a empreender durante a graduação?

Durante a graduação desenvolvi um projeto intitulado “Viabilidade Técnica e Econômica na Elaboração de Produto a Base de surimi, sob o enfoque da Economia Solidária”. Este foi um trabalho contemplado pelo Prêmio Oscar Niemeyer de Projetos Finais de Graduação e Pós-Graduação em 2012 e estava ligado a um contexto maior dentro de um programa de desenvolvimento da cadeia produtiva da pesca na cidade de Macaé. Foi o meu primeiro contato com projetos empreendedores voltados a geração de trabalho e renda. Certamente, esta experiência me influenciou para atuar na área de negócios, mas antes tive algumas experiências em empresas no setor de serviços de alimentação.

Iniciei a minha carreira profissional em 2012 como trainee e posterior gerente de negócios na Burger King. Depois trabalhei em empresas como Habib’s, Chine In Box e Bob’s. Neste período também realizei alguns trabalhos de consultoria como profissional autônomo, mas somente a partir de 2016 é que me tornei microempreendedor prestando serviços nas áreas de treinamento, gestão, qualidade e segurança alimentar.

Para você o que é empreender?

Quando se fala em empreendedorismo, logo vem à mente o conceito de criação de negócios empresariais. Mas o empreendedorismo vai mais além e está em todas as áreas e setores. Empreender é sinônimo de ação direcionada para a criação, inovação e desenvolvimento de algo que está relacionado a uma demanda da sociedade. Observar as características e necessidades da sociedade, incluindo empresas, é o ponto chave. Uma empresa nunca prosperará oferecendo serviços e/ou produtos de pouca utilidade pública ou social, como também pesquisas científicas dificilmente sairão do papel se não houver uma ligação direta com estas demandas.

Qual é o maior desafio ao empreendedorismo na sua opinião?

O maior desafio talvez seria a própria mentalidade cultural brasileira, onde encontramos muitas vezes o pensamento de que o melhor é estudar e realizar um concurso público do que arriscar a empreender. Superar esta mentalidade é um desafio. Eu não tenho nada contra o funcionalismo público. Meus pais são funcionários públicos. Até mesmo no serviço público há espaço para ações empreendedoras, quando servidores competentes e comprometidos realizam projetos e trabalhos para a otimização e evolução dos serviços à população. Meu foco é a mentalidade propriamente dita, pois nossas ações estão relacionadas ao que pensamos e acreditamos. No livro intitulado “ Pai Rico e Pai Pobre” do autor Robert Toru Kiyosaki, ele define que o pai “Pobre” é o seu próprio pai, que era funcionário público, e o incentivava insistentemente que o melhor caminho seria o serviço público, por conta da estabilidade e benefícios, apesar de não ganhar muito. Há mentalidades distintas no conceito de sucesso profissional dependendo da cultura e visão de cada pessoa e sociedade. Em uma sociedade que não há uma mentalidade empreendedora, não há incentivos significativos e contribui para a existência de fatores que dificultam a abertura de empresas e novos negócios, como a burocracia e a elevada carga tributária. Portanto, empreender no Brasil é um ato heroico, uma jornada de superação de muitos desafios.


Quais são as maiores dificuldades e desafios que você enfrenta na área?

No contexto econômico atual, desde 2016, houve uma restrição no mercado de trabalho, incluindo na prestação de serviços. Mas observam-se também bons investimentos neste setor. É visível que muitos empreendedores estão apostando e querendo investir na área, mas também é notório que existem grandes desafios para a manutenção de empreendimentos dessa natureza. Segundo a Associação Brasileira de Franquias (ABF) a cada 10 franquias abertas 7 são da área de alimentação fora do lar, mas pelo menos a metade destes empreendimentos fecham as portas em seu primeiro ano. Muitos são os fatores que contribui para isso.

Apesar de ser reconhecido como o maior setor de serviços da economia do estado do Rio de Janeiro, e talvez do Brasil, este se configura também como uma área que exige bastante da atuação de seus gestores. Os empresários do setor de alimentação precisam estar preparados para trabalhar nos finais de semana e feriados, além de estarem dispostos a colocar a mão na massa quando for preciso. Não são muitos que possuem esse perfil. Outro ponto é que existe certa imaturidade dos empreendedores que querem tocar seus negócios sem a devida instrução e orientação. A procura por uma consultoria especializada geralmente se faz quando estão tendo grandes dificuldades ou problemas na condução de seus negócios.

Outro desafio é convencer o empresariado da necessidade de treinamento e capacitação de seus colaborares, além de contratar funcionários com maior formação e capacitação pelo menos para os cargos mais estratégicos. Muitos gestores dessa área são geralmente pessoas com experiência, mas com baixa ou média formação e capacitação profissional.


Como é prestar consultoria de alimentos?

A responsabilidade de um profissional de consultoria é muito grande, pois interfere diretamente em algo idealizado pelos seus clientes. Em algumas empresas que trabalhei anteriormente, já ouvi de gestores e franqueados que aquele negócio era a vida deles, ou até um sonho concretizado. Interferir em um negócio é também interferir na vida das pessoas envolvidas. Então, é fundamental a atuação profissional consciente, com o sentimento que está contribuindo para o crescimento daquele negócio.

É fundamental que você se dedique a uma atividade que faça brilhar os seus olhos, independente do retorno financeiro inicial. Todos nós queremos uma situação financeira boa, mas gosto de orientar que o caminho é desenvolver aquilo que você se identifica profissionalmente, pois terá mais chances de sucesso. São muitos os desafios, que somente são superados com muito trabalho e persistência. Se a pessoa não se identificar com a profissão será um grande martírio para ela e conseguintemente irá desistir.

Ser um consultor independente é um exemplo no que foi falado. Necessita conhecer bem as empresas, pessoas e o mercado. Bater à porta das empresas quando for preciso e oferecer os seus serviços. Está sempre em constante procura de novos trabalhos e projetos, além de ampliar a sua rede social. Mas compensa quando o seu trabalho é reconhecido pelos seus clientes. Gosto também de realizar parcerias, pois a união de forças facilita o desenvolvimento dos trabalhos. Dificilmente alguém se desenvolve sozinho, principalmente em um mercado como a de alimentos, que apesar da amplitude, não é simples a atuação do profissional de consultoria.


O que você faz para se diferenciar no mercado?

Acredito que falar a linguagem e conhecer muito bem as demandas do setor é algo diferencial. Muitos empreendedores da área, por exemplo, não são profissionais da área de alimentos, e por isso não dão muita importância aos conceitos de qualidade e segurança alimentar, e como estes influenciam em seus negócios. Tento sempre enfatizar e mostrar aos meus clientes o quanto a padronização das operações, o treinamento e a segurança alimentar são fundamentais para o bom funcionamento e lucratividade do negócio.


Você se vê expandindo os negócios?

Possuo um objetivo de desenvolver novos projetos dentro do setor futuramente, utilizando as minhas experiências e conhecimentos adquiridos na área. Um consultor ajuda os seus clientes a empreenderem e resolver os seus problemas. Então, é natural desejar também desenvolver outros trabalhos, projetos e empreendimentos juntamente com pessoas (sócios) que possuem perspectivas e visões semelhantes. É preciso entender que a atuação de um profissional na área de alimentos é bem ampla. Posso ser um franqueado de uma rede de restaurantes, e ao mesmo tempo continuar realizando projetos e ações para o desenvolvimento do setor em parceria com outros empreendedores e profissionais. Tudo depende do perfil, disposição e conhecimento de cada pessoa.


Com esse post a gente encerra essa super semana #EspecialEA. Perdeu algum post? Use a tag #EspecialEA! Então se você curtiu, fica ligado e #VemComALEMA que tem muito artigo top quentinho pra sair.

#EspecialEA #Empreendedorismo #Entrevista #EngenhariadeAlimentos

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